quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Democracia na Birmânia: será desta?




Será este o início de um estado democrático na Birmânia? Desde de 18 de Setembro deste ano que a junta militar que governa o país está a ser contestada nas ruas com manifestações ininterruptas. Ontem os números apontavam para mais de 100 mil pessoas sendo que cerca de 30 mil são monges budistas, apesar das advertências do regime militar. As manifestações têm sido pacíficas mas teme-se represálias pesadas do governo, visto que este é o maior movimento desde a revolução 8888 que tentou democratizar o país e que foi violentamente suprimida pelos militares. Por agora o governo da Birmânia impôs o recolher obrigatório entre as 21:00 e as 5:00 e proibiu reuniões públicas de mais de cinco pessoas. As medidas foram anunciadas com propaganda na rua onde também foram vistos soldados. A Amnistia Internacional apelou para o envio de uma missão do Conselho de Segurança das Nações Unidas à Birmânia com o objectivo de acabar com as ofensas aos direitos do Homem e evitar um banho de sangue na região. Situações apontadas pela AI foram os mais de 1160 prisioneiros políticos e o recrutamento de crianças para as forças armadas e trabalho forçado. A Amnistia Internacional refere ainda que a China tem um papel crítico como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU. Hoje polícias armados com bastões carregaram sobre os manifestantes em Rangum, agredindo estudantes e monges budistas que se tinham concentrado para preparar nova manifestação, segundo dizem testemunhas. Outros confrontos ocorreram noutras zonas da cidade com recurso a armamento mais pesado. Estima-se que estes incidentes terão levado a vários feridos e pelo menos sete mortos, situação que levou a que Gordon Brown pedisse uma reunião urgente para hoje com a ONU, com o propósito de analisar a actual crise na Birmânia. Apesar da carga policial, dezenas de milhares de pessoas voltaram às ruas para retomar os protestos. Houve mais de 300 budistas e activistas detidos. A Liga Nacional para a Democracia referiu que a junta militar cometeu um erro irreparável ao carregar sobre os manifestantes pacíficos. A junta militar respondeu ao acusar Aung San Suu Kyi, Nobel da Paz e líder da LND, de incitar aos protestos. A acusação foi feita pelo jornal oficial “Nova Luz de Myanmar”, jornal já utilizado para passar as posições do regime. No entanto a Aliança de Todos os Monges Birmaneses e a Geração de Estudantes de 88 anunciaram que as manifestações não irão ceder ás pressões do governo. Perante as notícias de violência que vêm do país várias nações intercedem a favor da paz. A Casa Branca instou a junta militar birmanesa a aceitar um período de transição politica pacifica para a democracia bem como a respeitar os direitos humanos.

Sem comentários: