

O Presidente da Republica vai á inauguração da nova igreja da santíssima trindade esta tarde, informação revelada na página oficial da presidência da Republica Portuguesa. Com ele também estarão Jaime Gama, presidente da Assembleia da Republica, e Pedro Silva Pereira, ministro da presidência. José Sócrates, por outro lado, estará ausente mas irá receber o Cardeal Tarcisio Bertone, Secretário de Estado do Vaticano e enviado especial de Bento XVI às celebrações conclusivas dos 90 anos das aparições. Cavaco Silva entretanto já recebeu o mesmo cardeal. Não é a primeira vez que Cavaco Silva recebe um enviado do Vaticano. Já em 14 de Maio de 2007 foi recebido, oficialmente (esta na página da presidência da Republica) o Cardeal Ângelo Sodano. Outro caso semelhante foi o da inauguração do Centro de Produção de Televisão da RTP no qual o Presidente alertou que a RTP deve ter “especiais exigências de rigor e imparcialidade”. Pareceria correcto não fosse o facto de o Cardeal Policarpo ter sido convidado a visitar as novas instalações com Cavaco Silva além de ter benzido as mesmas, bem como o Presidente da Republica, bem como os telespectadores da RTP. Alguém se esqueceu da imparcialidade!, da televisão publica paga pelos contribuintes á confiança do nosso Estado “laico”. Tudo isto contrasta muito com o facto de recentemente o Nobel da Paz Dalai Lama, líder do budismo tibetano, não tenha tido o mesmo tipo de tratamento. Cavaco Silva argumentou que para existir uma recepção oficial é necessário um pedido do visitante, que aparentemente não existiu. Luís Amado, ministro dos Negócios Estrangeiros, deu outra explicação, “as razões são óbvias” (referindo-se á atitude da China perante o Dalai L

ama). Esta estranha discórdia entre Presidência e Governo revela uma estranha permissividade em relação á igreja católica comparando com as demais religiões. Esta situação tem sido falada por meio da Associação Republica e Laicidade que alertou para um artigo do jornal “O Mirante” que refere que “apesar de Portugal ser um Estado laico e de a legislação estabelecer a liberdade religiosa, dizendo que nenhuma igreja ou comunidade deve ser descriminada relativamente ás outra, há actos públicos que não dispensam a presença de sacerdotes católicos. E continua a haver procissões e missas organizadas por câmaras municipais” (artigo de 21 de Março de 2007).
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