

Condoleezza Rice, Secretária de Estado dos Estados Unidos da América, disse, este sábado que “
Em qualquer país, se não existem instituições compensatórias, o poder do Presidente torna-se problemático para o desenvolvimento democrático”. Recentemente o Governo Russo sobre a alçada de Vladimir Putin centralizou tanta autoridade que o poder pode minar o compromisso do país para com a democracia. “
Existe demasiada concentração de poder no Kremlin”, “
Toda a gente tem dúvidas sobre a independência da justiça e dos média electrónicos” e “
Existem questões sobre a força do parlamento Russo” são alguns dos pontos apontados por Rice que aconselhou activistas a criarem instituições democráticas para ajudar a combater a arbitrariedade do poder estatal aumentando a pressão sobre o Kremlin. Recentemente Presidente Russo lançou um decreto de lei que implica que as eleições deste ano (Dezembro) para a Duma Estatal (parlamento russo) irão decorrer sobre novas directivas fazendo com que não seja possível a eleição de deputados independentes. Outros requisitos são a barreira dos sete por cento de votos contra os anteriores cinco para eleger deputados, a proibição de formação de blocos eleitorais e a exigência de 200 mil assinaturas de apoio ou caução de 60 milhões de rublos (a ser devolvida se o partido atingir receber mais de quatro por cento de votos, sendo que os partidos actualmente na Duma estão isentos desses processos). Os analistas políticos dizem que as inovações na lei eleitoral russa foram aprovadas com vista a impedir a entrada de partidos menores e blocos no parlamento russo focando a massa eleitora nos dois partidos originados no Kremlin (Rússia Unida e Rússia Justa). As sondagens realizadas pelo Centro de Estudo da Opinião Pública (VTSIOM) mostram que apenas 4 partidos devem conseguir superar as barreiras impostas na nova lei sendo que dois deles são os acima referidos. Partindo deste principio a oposição liberal a Putin não elegerá nenhum deputado visto encontrar-se dividida. Recorde-se que Vladimir Putin anunciou que iria liderar a lista do partido Rússia Unida nas próximas legislativas ficando, caso ganhasse, com a posição de Primeiro-Ministro (visto estar impedido pela constituição russa de tentar o 3º mandato como presidente), o que lhe permitiria continuar a dirigir o país, com poderes reforçados, e apoiar um homem da sua confiança nas eleições para o Kremlin. Poderá ser o caso de Viktor Zubkov, actual Primeiro-Ministro. Garry Kasparov, anti

go campeão mundial de xadrez e actual líder do movimento “Outra Rússia” tem encontrado forte oposição na sua campanha contra o poder de Putin chegando mesmo a ser detido quando se preparava para manifestar contra o presidente russo. Kasparov já não considera o seu país democrático e revela não ter qualquer hipótese de ganhar as eleições de 2 de Março culpando a máquina de poder instaurada por Putin. Actualmente, Kasparov, sendo uma figura importante no seio da sociedade russa não têm mediatismo político e diz que a televisão não se refere a ele a não ser para o levar ao ridículo. Argumenta ainda que várias vozes democráticas têm sido apagadas.
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